Grupo Corpo - Obras - Sem Mim
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coreografia: Rodrigo Pederneiras

música: Carlos Núñes e José Miguel Wisnik (sobre obra de Martín Codax)

cenografia e iluminação: Paulo Pederneiras

figurino: Freusa Zechmeister

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coreografia: Rodrigo Pederneiras

música: Carlos Núñes e José Miguel Wisnik (sobre obra de Martín Codax)

cenografia e iluminação: Paulo Pederneiras

figurino: Freusa Zechmeister

O mar (de Vigo), que leva e traz de volta o amado, o amigo, é o que dá vida e movimento a Sem Mim. O balé é embalado pela trilha original urdida a quatro mãos pelo viguês Carlos Núñez e pelo brasileiro José Miguel Wisnik a partir do único conjunto de peças do cancioneiro profano medieval galego-português que chegou aos nossos dias com as respectivas partituras de época: o célebre “ciclo do mar de Vigo”, de Martín Codax. Nas sete canções, datadas do século XIII, o poeta se pronuncia sempre em nome da mulher; mais especificamente de jovens apaixonadas que pranteiam a ausência ou festejam a iminência do regresso do amado-amigo. Na avidez do reencontro, elas confidenciam ora com o mar, ora com a mãe, ora com amigas. E, para aplacar ou fustigar o seu desejo, saem a banhar-se nas ondas do mar de Vigo.

A lírica do trovador medieval leva Rodrigo Pederneiras a pautar sua partitura de movimentos na alternância entre calmaria e fúria e no vaivém próprios das ondas do mar, e, também, a (re)produzir, no jogo de cena, o apartamento entre feminino e masculino, onde um(a) reclama sempre a falta do outro, em coreografia marcada pelo fluxo constante de avanços e recuos e pela recorrência de movimentos, sinuosos ou abruptos, de tronco.


A partir da combinação de uma forma geométrica (um enorme quadrado de alumínio vazado) com uma forma orgânica (metros e metros de uma trama sintética fabricada para o sombreamento de culturas agrícolas), ambas manipuláveis verticalmente, Paulo Pederneiras constrói um cenário metamórfico que, no decorrer do espetáculo, vai se transfigurando e formando representações de paisagens e elementos distintos: mar, montanhas, nuvens, barco, rede de pesca, alvorada.

Sobre malhas finas inteiriças tingidas de acordo com a cor da pele de cada bailarino, Freusa Zechmeister aplica inscrições e texturas baseadas em ornamentos da Idade Média, transformando o corpo dos bailarinos em suporte para uma simbologia da época, e criando a ilusão de que a cena é povoada por homens e mulheres “em pelo”, cuja “nudez” é coberta apenas por um dos signos mais arcaicos do imaginário marítimo: a tatuagem.

sem mim    2011
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